| As promessas idosas nas mensagens do Presidente |
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O discurso do fim do ano do Presidente é o espelho da decadência do seu regime autoritário e corrupto. Muito rico em lugares comuns e muito pobres em ideias sobre o desenvolvimento político, económico, social, cultural e intelectual do País. Como todos os ditadores do Mundo, em todos os tempos, José Eduardo dos Santos não se sente responsável perante ninguém e trata os Cidadãos com paternalismo como se Angolanos fossem todos atrasados mentais e não soubessem em que País vivem, em que condições sobrevivem e em que País sabem poder ver. Todos os Angolanos sabem que Angola é um País muito rico mas que os Angolanos são muito pobres, Havendo ainda quem sobreviva graça a ajuda humanitária, o que é um paradoxo. Os Angolanos sabem que neste País profundamente injusto, a riqueza é muito mal distribuída e que a estrutura de oportunidade é grandemente desigual. José Eduardo dos Santos fala de oportunidade de negócios para quem? Não fala de desenvolvimento político do País e corrobora aquilo que disse no Conselho da República que as Eleições Presidenciais e Legislativas vão mais uma vez ser adiadas. Das Eleições autárquicas não quer falar, porque não quer que o Poder se aproxime do Povo. Mas fala da Paz social e da motivação politica mas quer manter o País em ditadura através da metáfora que sempre caracterizou as ditaduras: «manter a ordem» com medidas de Policia. Como para todos os ditadores a liberdade de expressão e manifestação são desordem a não ser que sejam para elogiar a incompetência do Governo, a não ser que seja para dizer que os seus erros de governação são grandes virtudes. Para o Presidente da República o País começa de novo todos os anos, como se ele não tivesse estado lá no ano anterior. Agora anuncia um novo Programa de Reconstrução Nacional para 2007-2008,quando havia prometido eleições para 2006,depois de fazer o balanço do chamado programa intercalar 2004-2005, em Maio de 2006. Nada disse sobre a avaliação do cumprimento do programa anterior. E não o disse porque ele é francamente negativo. Os níveis de excussão são muito baixos e por razões que lhe são imputáveis. Por isso não fala desse programa. Não tem programa para questão social, apenas vagas promessas sobre melhoria das condições de vida. Como? Com o orçamento geral do estado aprovado e os níveis de implementação que se tem verificado? Não fala das medidas necessária à segurança alimentar no País e perde-se no pormenor de ensinar «técnicas simples de produção e de conservação dos alimentos». Acha que tudo está por definir, «o papel do estado do sector privado, da sociedade Civil e da Família», e esquece que há a constituição de República, Legislação ordinária, programas próprios e da comunidade internacional, das ONG´s e Igrejas que sabem bem o que fazer mas que há falta do Governo, falta de cumprimento. No plano das realizações, motivo de grande satisfação para o Presidente da República, ele confunde os seus desejos com a realidade. Com efeito, quando se diz ter (nos) conseguido “reconciliar os espíritos”, apenas se pode entender que o Presidente da república em vez do que disse, quis dizer, ser intenção/desejo do governo que ele preside conseguir reconciliar os espírito, pois não é cível que alguém pense que se tenha atingido tal objectivo, quando ao longo de todo o ano de 2006 persistirem em todo o território Nacional, de Cabinda ao Cunene, actas de intolerância politica como atesta o facto do Governo e da Unita terem sido obrigado a estudar a delinear “uma estratégia de prevenção e combate aos actos de intolerância politica, 15.ª reunião ordinária do Mecanismo Bilateral de Consultas e Concertação politica, realizada à 19 de Setembro último. Ora, a reconciliação dos espíritos, não respeita exclusivamente ao Mpla/governo e a Unita e aos inimigos das guerra civis (Mpla, Fnla e Unita), diz igualmente respeito à reconciliação entre o Mpla e todos grupos que no seu seio ele imprimiu e tentou liquidar completamente (Revolta activa, Revolta do leste, Comité Amílcar Cabral, 27 de Maio), sem falar já dos anteriormente ousaram exercer contra o Mpla as liberdades de associação e de expressão (OCA, Núcleo José Staline, MUSA) e de crença religiosa (Simão Toco). De resto, não será por falta de reconciliação dos espíritos que o 15 de Março de 1961 (uma sublevação das de maior envergadura da moderna historia colonial de africa, que excedeu pelas suas proporções e repercussão as demais insurreições que naquela época abalaram Angola) não é ainda feriado Nacional? Que reconciliação dos espíritos é essa que leva o Presidente da República e o seu Partido na Assembleia Nacional a ignorarem essa data de tão grande significado para a história Nacional? De igual modo quando o Presidente diz que o seu Governo conseguiu estabilizar a economia, o Presidente da República não devia perder-se de satisfação e esquecer que Angola baixou um lugar no Índice de Desenvolvimento Humano elaborado pelo PNUD, ocupando o 161º lugar entre os 177 País que constam do relatório daquela Agencia Internacional; que continuamos a ter a maioria da nossa população a viver abaixo do nível da pobreza, com menos de dois dólares por dia; que temos a 2ª maior taxa de mortalidade infantil em todo mundo, com 260 mortos em cada 1000 crianças, sendo apenas suplantados pela SERRA LEOA que nossa esperança media de vida é muito baixa e que a nossa situação sanitária é muito preocupante, onde o surto de cólera em 2006 tomou proporções alarmantes jamais registada no País. E em relação a reinstalação de milhares de famílias nos seus locais de origem, sem esquecermos o grande apoio da Comunidade Internacional nisso, seria importante que o Presidente da República não se esqueceste das politicas dos seu Governo das expropriações de Terras sem indemnizações ou sem indemnizações adequadas, das demolições das habitações construídas e do confisco de bens e haveres adquiridos, com imenso trabalho e sacrifício em sem apoio Governamental, dando origem a famílias abandonadas e ao relento, os adultos sem trabalho e sem salário, as Crianças sem escolas e todos sem Pão, sem água e sem energia. Quanto as grandes obras de Reconstrução Nacional alguns de nós, certamente verão se elas conseguem ser mais resistentes mais duráveis e menos caras do que muitas obras realizadas pelos sucessivos governos do partido de situação não conseguiram resistir escassos anos, meses, ou mesmo dias Não foi concreto em relação a nada. Falou da criação de emprego (promessa não cumprida desde há 30 anos) mas não falou do sector produtivo e do seu relançamento. Apenas lhe interessam os sectores onde o seu séquio tem interesses: “os circuitos económico-financeiros e comerciais”. Se José Eduardo dos Santos tiver um rebate de consciência e quiser reflectir sobre o nosso destino comum e “ um futuro de paz, progresso e bem-estar social então que de passos concretos convocando as forças vivas da Nação para o debate e deixe de desprezar os angolanos e de lhes impor os seus interesses políticos, económicos e sociais pessoais.” |
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