Declaração sobre 15 de Março PDF Imprimir e-mail

Na região norte ocidental do País, a 15 de Março de 1961, o Povo Angolano, representado, sobretudo pelas populações da região, sob liderança da UPA, levantou-se, heroicamente, contra o colonialismo português. Esta sublevação, foi, sem dúvida, uma das de maior envergadura da moderna história colonial de África e excedeu pelas suas proporções e repercussão as demais insurreições que naquela década abalaram Angola. Ela representou uma recusa dramática das lamentáveis condições de trabalho e de vida impostas às populações, nas fazendas de café, pelo opressor. Sendo no tempo esse  produto  o mais importante da nossa economia, a sociedade inteira sofreu, nos diversos domínios, o enorme impacto do levantamento popular.
De facto, foi a revolta iniciada em 15 de Março de 1961, verdadeiro começo da guerra de libertação, que acabou por levar Portugal ao envolvimento militar de grande envergadura iniciando uma guerra de 13 anos. Foi esta revolta também que levou o regime colonial fascista português a alterar substancialmente a sua política de dominação reformulando a legislação do chamado Acto Colonial de 1932, que estipulava, por exemplo, o “estatuto de indígena” e o trabalho forçado (o “contrato” dos homens, muitas vezes por anos seguidos, mas também o trabalho forçado de mulheres e crianças nas “obras públicas”).Também, a política de desenvolvimento económico-social acelerado correspondeu a uma das respostas portuguesas ao violento protesto Angolano, no qual o 15 de Março de 1961 se destaca.

Infelizmente, o imenso sacrifício das populações, predominantemente rurais, não encontrou, durante o referido período da história Nacional, no movimento de Libertação, tomado no seu conjunto, a capacidade equivalente. Esta, porém, teria sido indispensável para conseguir a independência justa e digna a que aspirávamos.

A falta de uma visão global, interesses estreitos, impregnados de perspectivas regionais, ou outras, impediram a realização da concórdia necessária. Para além disso, a notória incapacidade de organizar, de acordo com a dimensão Angolana, a acção Libertadora, fez quebrar a continuidade da insurreição das massas camponesas, permitindo uma repressão feroz e, antes de tudo, a consolidação do poder colonial.

A FpD acha que, precisamente, estas insuficiências, acrescidas da confusão delas resultante, entre interesses particulares dos partidos e os nacionais, levaram e levam ainda, por exemplo, o Partido maioritário em 1992, na Assembleia Nacional, a ignorar essa data de tão grande significado para a história Nacional.

A FpD defende, como tem vindo demonstrando, a unidade respeitadora da diversidade Angolana, reitera não aceitar motivos partidários para decidir sobre acontecimentos que envolvem a totalidade da Nação.

A reconciliação de todos nós, sem exclusão de ninguém, que a desejada paz implica, a isso nos obriga. E a paz significa, não apenas o calar das armas, mas ainda, a criação de instituições democráticas, duradouras e estáveis, que não admitam o esquecimento de alguma parte do todo Nacional e da sua memória respectiva.

Assim, evocando, bem alto, essa data essencial que todo angolano patriota, independentemente das particularidades, deve reclamar como sua, a FpD junta a sua voz a de muitas forças políticas e sociais, entre elas é de destacar a FNLA, este ano, feliz e esperamos finalmente reconciliada, sob a mui digna direcção do herói nacional vivo, o mais velho Holden Álvaro Roberto, conclamando que o 15 de Março seja, muito em breve, instituído Dia de Feriado Nacional.

Luanda, aos 14 de Março de 2005

                           A Comissão Política Permanente


44.º ANIVERSÁRIO DO 15 DE MARÇO, CINE KARL MARX (ALVALADE), LUANDA, 2005-03-15
 
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