Segundas Jornadas dos Partidos Políticos da Oposição sob “O Ciclo da Esperança” PDF Imprimir e-mail

Discurso do Dr. Luís do Nascimento, Secretário-Geral da FpD por ocasião da abertura das Segundas Jornadas dos Partidos Políticos da Oposição sob  “O Ciclo da Esperança”


Excelentíssimos Senhores Presidentes
Dos Partidos Políticos
Excelentíssimos Senhores Representantes
Do Corpo Diplomático
Minhas Senhoras
Meus Senhores.

Em nome a Frente para a Democracia, FpD, e em meu nome pessoal, saúdo essas Segundas Jornadas Parlamentares da Oposição que se realizam sob a denominação “O Ciclo da Esperança”. Gostaria de recordar que essas Jornadas surgem mais de quatro anos depois das Primeiras que tivemos à oportunidade de realizar entre os dias 8 à 10 de Agosto do ano de 2000.


As Jornadas que se realizam hoje e amanhã decorrem num contexto algo diverso do que se registava por ocasião da Primeira, em que os nossos Partidos constatavam que “ao longo dos 25 anos de independência vinha-se registando o agravamento dramático da vida das populações, o extermínio do povo angolano e a perda generalizada de esperança num futuro melhor”.  

Na altura era a Paz, a questão básica em torno da qual gravitavam as preocupações dos angolanos.

Os nossos Partidos, na altura, também mostravam-se apreensivos com a anormalidade constitucional em que se vivia, preocupados com a “ilegitimidade dos mandatos dos órgãos de Estado” (Presidente da República, Assembleia Nacional e o Governo), pelo que exigiam “a realização de eleições livres e justas tão cedo quanto possível num ambiente de paz e completa harmonia, como forma de legitimar o exercício do poder político”.

Como nos referimos anteriormente, o contexto que vivemos hoje é diverso daquele. Não, é claro, no que concerne à má gestão, corrupção, incompetência, falta de transparência e desperdício do erário público, porque nestes domínios, o contexto é infelizmente o mesmo.  

Entramos, contudo, num “período em que”, como se referiu o PR no seu discurso de 11 de Novembro último, “a vida política nacional será (deverá ser, dizemos nós) dominada pela necessidade de se criarem as condições para a realização de eleições gerais em Angola”.




É mister que se reconheça que para atingirmos este período, os nossos partidos, bem como  muito dos partidos extra-parlamentares, entre os quais destacamos os pertencentes aos POC, foram fundamentais. Recordamos as campanhas levadas a cabo pelos 14 Partidos que subscreveram a Declaração sobre o Processo Eleitoral e Eleições 2004, ao longo de todo o segundo semestre do ano 2003, a campanha dos POC por eleições em 2004 e o trabalho aturado, persistente e consistente levado a cabo este ano pelos Partidos Políticos da Oposição Parlamentar aquí presentes e outros.

O factor decisivo para as eleições para os nossos partidos, no momento presente, é o Conselho Nacional Eleitoral.

O Conselho Nacional Eleitoral, é de acordo com a Lei N.º 5/92, de 16 de Abril, o órgão encarregue de coordenação, execução, condução e realização do registo eleitoral e de todas as actividades, relativas ao processo eleitoral.
Um dos princípios de organização e funcionamento dos órgãos de Estado é a de que os seus órgãos representativos devem ser eleitos no termos da respectiva Lei Eleitoral.

Por isso, o tratamento de todas as questões que se prendem à realização de eleições deveriam competir ao Conselho Nacional Eleitoral e não a qualquer outro ente ou entidade, como a inconstitucional, ilegal e anti-democrática Comissão Interministerial, constituída pelos Ministérios de Administração, do Interior e Telecomunicações, órgão cuja institucionalização apenas pode indiciar fraude eleitoral.

Uma Comissão incumbida de preparar as condições técnico-materiais e administrativas, que sustentarão a organização das próximas eleições gerais em Angola, longe do conhecimento do CNE, longe dos actores que vão participar no pleito eleitoral, os Partidos Políticos, à excepção do Mpla, é, efectivamente, atribuir a toda a gente um certificado de menoridade e de ingenuidade políticas que o processo de 1992 nos lembra já termos visto e vivido.

Em nosso entender, trata-se de mais uma tentativa reincidente de subtrair fraudulentamente a um futuro Conselho Nacional Eleitoral tudo quanto tenha de real interesse para o controlo das condições essenciais para a realização das próximas eleições.

O Presidente da República, mais uma vez, nega hoje aquilo que afirmou ontem. Com efeito, como classificar ao que alguém afirma quando diz que “o que interessa é que a Assembleia Nacional aprove tão depressa quanto

possível o pacote de leis necessárias para preparar e realizar essas eleições” e, sem esperar tal aprovação, cria, ele próprio, sem estar investido de poderes para tal, precisamente o tal órgão para preparar e realizar, em proveito do Partido que preside, essas mesmas eleições?

Este facto é demonstrativo que o poder não está disposto a ceder na sua intenção de prolongar a ditadura e a predação. O Presidente da República teima, em nosso entender, no golpe de Estado permanente, procurando por “guerrilha” de baixa política e por gestos de pura diversão, impôr ao país o seu calendário político pessoal, sobrepondo-se aos interesses nacionais.
A experiência recente ensina-nos que apenas unidos nós seremos capazes de protagonizar alguns factos relevantes susceptíveis de dar resposta à “guerrilha” presidencial.
 
Exemplo disso foi a inviabilização que conseguimos, muito recentemente, à intenção do Presidente da República de substituir a actual Lei Constitucional por uma simples Lei de Autorização que fundindo a ordem política-jurídica na sua pessoa, autorize ele próprio a ditar a lei, no mais genuíno estilo do absolutismo medieval.

A FpD reitera a todos os Partidos da Oposição a sua disponibilidade de trabalhar em conjunto na elaboração, implementação e concretização dos consensos possíveis no que concerne quer às questões políticas quer às técnicas que as presentes Jornadas sobre o Pacote Legislativo e Eleitoral hão-de, decerto, proporcionar.

MUITO OBRIGADO
 
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