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A história da formação da nacionalidade angolana e do desenvolvimento do país tem o traço indelével da luta pela liberdade e pela igualdade.

Ao longo dos século de formação e consolidação da nossa nacionalidade, essa luta revestiu as mais diversas expressões e incorporou múltiplos interesses, grupos e personalidades; fazendo todos parte da nossa consciência colectiva.

As guerras de resistência, a luta política independetista do século passado, a luta armada de libertação nacional foram empreendidas por diferentes formas de organização e múltiplas lideranças.

No caldeamento destas lutas construiu-se uma reivindicação comum: a independência. Para o povo, a independência significa a paz, a liberdade, o progresso, o bem estar, a justiça social e a unidade da nação na sua pluralidade política e cultural.

A proclamação da independência aconteceu, no entanto, no contexto da guerra civil, da intervenção de forças estrangeiras e sob i espectro da ditadura.

Ao consolidar-se o regime totalitário do pós-independencia, a resistência ganha duas expressões: a resistência armada e a oposição civil.

A resistência armada, organiza-se em poder político-administrativo nas áreas que controla, preconiza a derrota militar do regime totalitário e a consequente inversão do totalitarismo a seu favor.

O movimento democrático nacional defende o respeito da pessoa humana, o pluralismo político e cultural, o desenvolvimento participativo e a justiça social. Assume uma nova concepção de oposição que recusa desenvolver uma política de simples negação, muito menos de “terra queimada”, e em presença do interesse nacional defende sempre uma atitude construtiva.

As mudanças nos países do 2bloco socialista” levaram ao desanuviamento internacional e regional. Desapareciam igualmente os sustentáculos internacionais da guerra civil e no contexto político nacional abre-se caminho para a democratização do país.

A Frente para a Democracia, FpD, surge da necessidade dos cidadãos angolanos que integram ao longo dos dezasseis anos de independência o  movimento democrático de oposição civil se organizarem para lutar de forma unida e convergente contra o totalitarismo, a miséria e a degradação dos valores morais.

Ao  publicar o manifesto Democrático, em Janeiro de 1991, a FpD não assume qualquer orientação dogmática nem qualquer filosofia monista sobre a historia ou evolução da sociedade. A FpD congrega os seus aderentes pela defesa dos valores fundamentais da democracia; da liberdade, da igualdade, da justiça social, da paz, da solidariedade e das tradições humanistas do nosso povo e tempo.

A FpD, ao assumir uma nova cultura política, pretende ser uma organização herdeira do pensamento democrático e liberal do nacionalismo civil no nosso país; herança que a FpD na sua prática actualiza, para lhe dar um real valor, ao defender uma democracia participativa e social.

A FpD como organização democrática é um espaço político para o debate e equacionamento dos problemas nacionais em ordem a buscar respostas adequadas para os desafios do desenvolvimento nacional e da modernização do país.

A FpD defende uma verdadeira democracia em que os valores humanos têm plena expressão, em que o homem esta encima de todos interesses, incluindo os de Estado, e se alcança um regime de liberdade, desenvolvimento e justiça social.

A FpD defende o estabelecimento, consolidação e aprofundamento de um Estado de direito democrático moderno que proporcione a prosperidade nacional e o enriquecimento dos cidadãos.

Proclama na cidade do Huambo, a 11 de Novembro de 1991, na sua Convenção Nacional Constituinte, a Frente para a Democracia – FpD, constitui-se numa organização de amplo espectro político-ideológico que luta pela institucionalização em Angola de um regime democrático estável, humano e solidário.