| Angola - O capitalismo dos petrodiamantes |
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Com as empresas do petróleo a competirem pelas concessões, existem preocupações de que um país considerado como um dos mais corruptos esteja a ser pouco pressionado para melhorar a sua governação FINANCIAL TIMES ------------------------------------ Londres A Sonair, a companhia aérea da Sonangol, empresa pública petrolífera de Angola, opera voos directos entre Houston e Luanda. Homens do petróleo estrangeiros são rapidamente transportados do aeroporto para moradias cor-de-rosa, em complexos protegidos por vedações, ou, via helicóptero, directamente para as plataformas petrolíferas no mar. Angola, que já é o segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, depois da Nigéria, também é um dos países em crescimento mais acelerado, extraindo 1,3 milhões de barris por dia. Os trabalhadores das plataformas comparam-na, em importância, ao Mar do Norte, no seu pico. Embora a «Angola ‘offshore’» seja apreciada pelo seu isolamento em relação ao conflito «on shore» que aflige a Nigéria ou o Médio Oriente, as condições numa vasta área do país são deploráveis. Uma grande parte da população habita em casebres atamancados, de cimento e chapa, tijolo de barro ou materiais de refugo, como chapas de automóveis. Os blocos de apartamentos no sobrepovoado centro da cidade beneficiaram de poucas renovações desde a independência, em 1975. Um prédio despojado da sua fachada adquiriu a alcunha de «Tchetchénia». «Angola é muito rica — temos petróleo, diamantes», diz Manuel André Muhongo, que vive com a família de cinco pessoas numa tenda, no bairro pobre de Luanda, Kilamba Kiachi. Fazendo eco de uma opinião frequentemente ouvida na cidade, acrescenta: «Mas vai tudo para aqueles que estão no Governo». No dia 11 de Novembro, Angola celebrou o 30º aniversário da sua independência. Este marco evoca sentimentos mistos entre os angolanos, cujo país começou a resvalar para a brutal e longa guerra mal se libertou do domínio colonial português. Por várias vezes, as partes beligerantes foram apoiadas pelos Estados Unidos e pela União Soviética e seus representantes — a África do Sul e Cuba. Quando o conflito terminou, em 2002, com o assassínio de Jonas Savimbi, líder do movimento rebelde UNITA, pelo menos meio milhão de pessoas tinham morrido, quatro milhões estavam deslocadas e muitas das infra-estruturas de Angola encontravam-se destruídas. Actualmente, o país está a ser palco de uma luta global de cariz diferente. Os grandes do petróleo acotovelam-se pelas concessões lucrativas, no momento de procurar novas fontes de petróleo fora do Médio Oriente. A Sonangol vai lançar, no próximo mês, uma nova série de concursos para plataformas em águas profundas. Os EUA estão a agigantar a sua presença em Angola, com uma nova e imponente embaixada no bairro de luxo Miramar, em Luanda, e com investimentos de muitos milhares de milhões de dólares, pela Chevron e a Exxon Mobil. Os Estados Unidos importam mais de metade da produção de petróleo de Angola, o que, no ano passado, representou sete por cento do seu petróleo não-OPEC e quatro por cento do total das importações. A Sinopec, da China, também está a fazer prospecção no mar alto e Pequim financia e supervisiona a reconstrução de duas vias férreas danificadas pela guerra (ver caixa). |
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