Deus não gosta de sangue PDF Imprimir e-mail

No seu discurso pronunciado quarta-feira, dia 12 de Setembro em Ratisbonne, o Papa citou uma obra de Theodor Koury, teólogo de Munster que, nos anos 60, tinha narrado a “Sétima controvérsia” tendo oposto, em 1931, o imperador cristão de Constantinopla, Manuel II Paleólogue (1350-1425), a um erudito persa.
O imperador colocou ao seu interlocutor, duma maneira espantosamente rude para nós, a questão central da relação entre religião e a violência. Disse-lhe: “Mostra-me, pois, o que Maomé trouxe de novo. Tu apenas encontrarás coisas más e desumanas, como o direito de defender com a espada a fé que ele pregava”.

O imperador explica então porque é absurdo defender a fé pela violência. Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma: Deus não gosta de sangue (…).

Aquele que deseja conduzir alguém para a fé deve ser capaz de falar bem e de pensar justo, e não pela violência e pela ameaça (…). Para convencer uma alma racional, não é necessário o seu braço, nem armas, nem qualquer meio pela qual se pode ameaçar alguém de morte (…) A frase decisiva nesta argumentação do imperador de Constantinopla contra a conversão forçada é a seguinte: agir de maneira insensata (despropositada) é contrária à natureza de Deus. Para o imperador, um Bizantino educado na Filosofia grega, esta frase é evidente. Pelo contrário, para a doutrina muçulmana, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está ligada à nenhuma das nossas categorias, nem mesmo a da razão.

Artigo publicado na edição de 20 de Setembro de 2006 pelo jornal Le Monde. Tradução do SIC da FpD.

 
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