Linha férrea transfronteiriça orçada em USD 4 biliões PDF Imprimir e-mail

A reabilitação dos principais eixos ferroviários e a construção de outros novos enquadrados no plano nacional está orçado em 4 biliões de dólares e será executado num prazo de onze anos. O facto foi anunciado pelo ministro dos Transportes, André Luís Brandão, quando falava à margem da 32.ª Assembleia Geral da União dos Caminhos de Ferro Africanos (UAC), que a capital angolana acolhe desde ontem.

Do programa, foram já reabitados 200 quilómetros (incluindo trabalhos de desminagem) de linha ferroviária em Angola. A rede ferroviária angolana tem uma extensão de 2.719 quilómetros, mas apenas cerca de 850 quilómetros (31%) estão operacionais devido à degradação causada pelo conflito armado.

O país conta com três linhas ferroviárias, que não estão ligadas entre si, sendo a mais importante o Caminho de Ferro de Benguela, que atravessa Angola no Centro do país, desde a costa atlântica até à fronteira Leste. As outras duas são o Caminho de Ferro de Luanda, que liga a capital do país a Malanje, e o Caminho de Ferro de Moçâmedes, que liga o Namibe, na costa atlântica do Sul do país, à cidade de Menongue, no Leste, capital provincial do Kuando Kubango.

De acordo com o ministro, entre os projectos em curso, destacam-se a reabilitação da linha que liga a Estação do Bungo (Luanda) a Malanje, cuja circulação comercial será restabelecida em Dezembro.

Em função dos trabalhos nas linhas de Benguela e do Namibe, André Luís Brandão vaticina que dentro dos próximos três anos poderão estar concluídos os principais eixos ferroviários que ligam Angola aos países vizinhos.

Apesar de estar em aberto a possibilidade da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (Nepad) conceder 18 biliões de dólares, anualmente, durante dez anos, a União Africana dos Caminhos de Ferro precisa de um fundo de investimento para a construção da rede africana ferroviária, na óptica de André Luís Brandão.

Na presença do presidente da UAC, Nkulu Kilumba Emanuel e do representante da União Africana, Baba Mussa Aboubakary, o titular dos Transportes, que é também o presidente em exercício da Organização Marítima de África do Oeste e do Centro (OMAOC), frisou que o fundo poderá estimular o desenvolvimento de infra-estruturas no continente.

“Não só defendemos a criação de um fundo para os caminhos de ferro, mas também para a construção de estradas, porque a África tinha de estar interligada em toda a sua plenitude”, ressaltou.

Doravante, o que se pretende é transformar o continente num mercado comum, já que hoje é mais fácil importar-se ou viajar-se para outros continentes do que dentro de África, e às vezes mesmo obriga-se a ir para a Europa mesmo quando se pretende atingir um país africano.

 
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