48 Anos depois do 4 de Fevereiro de 1961 PDF Imprimir e-mail
logofpd_100.pngPerguntamos: para quê serviu o sacrifício consentido, com derramamento de

     sangue e sofrimento brutal, antes, durante e depois do 4 de Fevereiro de1961?

     Estará o MPLA em condições morais para enaltecer esta data, sem que seja por hipocrisia política e falta de pudor?

O 4 de Fevereiro simboliza um dos mais heróicos levantamentos dos nacionalistas e do povo angolanos contra a repressão e coarctação das liberdades e direitos dos angolanos pelo regime colonial-Fascista

A restituição desta data, ao um património do nacionalismo angolano, descomprometido de qualquer direcção dos principais movimentos nacionalistas da altura, nomeadamente do partido do poder, representa uma grande vitória da verdade histórica em Angola.

Esta história deverá honrar-nos, a todos angolanos, e é nosso dever protegê-la e fazer com que os seus nobres desígnios sejam alcançados.

São passados 48 anos desde a investida dos nacionalistas contra as cadeias da repressão colonial.

São passados 34 anos desde que Angola alcançou a independência.

O que aconteceu à justa e nobre reivindicação que o 4 de Fevereiro levantou? Vejamos 2 exemplos importantes de atitude para com os símbolos da repressão:

A prisão de Peniche, foi transformada em museu municipal onde se exibe material arqueológico, histórico e etnográfico.

O campo de concentração do Tarrafal, em Cabo-verde, foi transforado em Museu

Em Angola, os campos de concentração e as cadeias de prisioneiros de consciência construídos pelo regime colonial-fascista foram preservados ou aperfeiçoados.

Mantiveram as mesmas funções do anterior regime, e como se não fossem suficientes, foram construídas outras cadeias políticas e campos de concentração mais severos, como a cadeia da estrada de Catete.

As mesmas cadeias que serviram de centros de tortura de nacionalistas angolanos, e outros prisioneiros de consciência, como religiosos, jornalistas, escritores, foram, e são utilizadas para prender e torturar, nacionalistas da luta armada de libertação nacional, militantes inconvenientes do próprio MPLA, religiosos, ex-prisioneiros políticos do período colonial, Jornalistas, políticos, até cidadãos inocentes.

A história dos 34 anos de governação do partido do poder, tem como marca importante, o profundo desrespeito dos direitos e liberdades dos cidadãos e a total intolerância a diferença. Esta história coincide com um dos períodos de maior violência e repressão vivida pelos angolanos. A história está a ser escrita, quem negará esta verdade?

Perguntamos: para quê serviu o sacrifício consentido, com derramamento de sangue e sofrimento brutal, antes, durante e depois do 4 de Fevereiro de1961?

Estará o MPLA em condições morais para festejar esta data, sem que seja por hipocrisia política e falta de pudor?

É preciso acabar com todas as prisões políticas e de consciência. É preciso acabar com as prisões arbitrárias. Deve ser exigência de todos os nacionalistas, democratas, ex-presos políticos deste e do anterior regime, intelectuais, artistas, jornalistas e todos os homens de bem, o encerramento definitivo das cadeia políticas.

 

Nem mais um preso de consciência em Angola. Libertação para todos os prisioneiros de consciência.

 
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